A ovelha churra mondegueira é uma das raças ovinas mais antigas da Península Ibérica, originária do tronco ibérico de ovinos (Ovis aries iberica). Esta raça foi amplamente distribuída na região da Beira Alta, especialmente no distrito da Guarda, e recebeu o seu nome devido ao rio Mondego, que atravessa a área de criação.
Embora sua origem exata seja difícil de determinar devido à escassez de fontes históricas, as características como lã churra e pigmentação peculiar indicam uma conexão ancestral com o Ovis aries studery. Antigamente, a raça era comum em toda a Beira Alta, particularmente nas bacias hidrográficas dos rios Mondego e Zêzere.



O estudo da história da raça Mondegueira é uma tarefa difícil tendo em conta as poucas fontes de informação que nos chegaram até aos dias de hoje, não se dispondo de dados suficientes para se precisar com segurança a sua provável origem.
As caraterísticas lanares e a pigmentação centrífuga verificada nalguns animais da raça ovina Mondegueira e ainda a sua aptidão leiteira, denunciam na sua representação ancestral o Ovis aries studery.
Contudo, segundo Miranda do Vale (1949), as várias populações de ovinos nacionais de raça churra (onde se inclui a raça Mondegueira), têm origem nos ovinos do tronco ibérico (Ovis aries iberica).
A Mondegueira é das raças ovinas mais primitivas da península Ibérica, supondo-se que antigamente fosse esta a raça mais disseminada em toda a Beira Alta, principalmente na zona meridional do distrito da Guarda.
Segundo a Direção Geral da Pecuária (1987), a raça ovina Mondegueira era um agrupamento étnico com certa representação na zona da Serra da Estrela, ao longo das bacias hidrográficas superiores do Mondego – do qual tirou o nome – e do Zêzere.
Tradicionalmente a transumância no passado dos gados serranos fazia-se para os campos da Idanha, para o Douro e para os campos de Coimbra. Eram deslocações com rebanhos numerosos que permaneciam, em média, cinco meses fora dos locais de origem. Os gados partiam, normalmente, nos primeiros dias de outubro, permanecendo fora toda a invernada. No presente o gado deixou de percorrer tão grandes distâncias, para ficar em concelhos do planalto da Beira Alta, demorando apenas um dia no trajeto, enquanto antes gastavam cinco a seis dias. (Martinho A. T., 1978). Atualmente nenhum rebanho da raça ovina Mondegueira pratica a transumância.
A principal e primeira aptidão a ser explorada nos ovinos da raça Mondegueira foi a lã churra (grosseira e comprida), que representava o fator de rendimento mais importante para o produtor. A lã, para além do seu valor económico, constitui a cobertura protetora externa do animal durante os rigores do inverno, ajudando a conservar a temperatura do corpo e, juntamente com o ar que está entre as suas fibras, a não deixar arrefecer a pele.
A região da Beira Alta, nomeadamente o concelho da Guarda está ligado à história dos lanifícios, principalmente pelo peso da atividade nas freguesias de Maçainhas, Trinta e Meios na confeção dos célebres cobertores de papa (peça de lã de fio grosso, assim chamado devido ao facto de ter um pelo bastante comprido que os torna tão quentes) e mantas, feitos de lã churra de ovelha, de pelo mais comprido, macios e de alta qualidade, que confortavam e aqueciam nas invernias geladas da Serra, vestindo pastores e agasalhando serranos.
A produção destes famosos cobertores de papa nesta região, fabricados exclusivamente com lã de ovelha churra selecionada e fiada especificamente para esse fim, remonta ao reinado de D. Sancho II, no início do século XII. O cobertor de papa, tecido num enorme tear totalmente manual, também é conhecido por cobertor de pelo, manta lobeira, manta barrenta ou manta de pastor, pesando em média três quilogramas e medindo 1,70m de largura e 2,40m de comprimento.
Posteriormente, influenciada pelo desenvolvimento da indústria local de lanifícios, a qual passou a consumir maiores quantidades de lãs de qualidade superior às churras, verificou-se uma diminuição significativa dos ovinos da raça Mondegueira. Ultimamente, a contínua desvalorização das lãs churras têm feito diminuir o efetivo Mondegueiro na sua área de exploração tradicional.
Atualmente a lã é considerada como um subproduto na economia da exploração, a seguir à produção de leite e à produção de carne de borrego, devido ao seu baixo valor comercial e ao custo inerente à tosquia. Poderá, contudo, ser uma mais-valia a sua utilização em artigos de artesanato local ou regional de elevada qualidade.
Apesar dos rebanhos de ovinos da raça Mondegueira se localizarem numa região agreste, bastante fria, chuvosa e pobre em pastos, o gosto dos produtores pelas características destes ovinos de lã churra, tem contribuído em grande parte para a sua manutenção.
A raça ovina Mondegueira é a imagem do meio agreste em que vive, refletindo as condições dos solos, do clima e da cultura local, incluindo o ambiente socioeconómico em que é atualmente mantida, onde tem tido uma importância primordial na economia destas zonas periféricas de montanha, enquanto principal fonte de rendimento dos produtores de ovinos.
(fonte: segundo Sá e Glória 1959, citado por Pimentel J., 1995)
(fonte: Martinho A. T., 1978)
(fonte: Direção Regional de Cultura do Centro, Museus no Centro, Centro de Documentação do Museu da Guarda)
(fonte: sítios do Município da Guarda e da freguesia de Maçainhas, respetivamente)