A produção de leite da ovelha Mondegueira é influenciada pela diferenciação genética que se verifica entre os diferentes rebanho (e dentro dos rebanhos, pela diferença genética entre os diferentes animais), pela diferente disponibilidade alimentar, pelo maneio praticado nas diferentes explorações, pelas condições climatéricas agrestes e por todo o restante conjunto de outros fatores ambientais que influenciam a produção de leite, nomeadamente a chuva associada a ventos frios.
A ovelha Mondegueira é uma das melhores ovelhas de produção de leite existentes em Portugal. Por norma a ordenha da maioria das ovelhas inicia-se um mês depois do parto. A importância atual desta raça deriva da sua boa capacidade leiteira, contudo a falta de elementos atualizados não nos permite afirmar com rigor o valor real das suas produções. Ao longo dos últimos anos têm existido várias fontes de informação, que explanamos nas tabelas seguintes:
Segundo Pimentel J. (1995), através das nuvens de pontos referentes aos contrastes leiteiros efetuados em dois anos produtivos (1992-1993 e 1993-1994) foi possível obter as correspondentes curvas de lactação do respetivo ano, como se pode verificar no seguinte gráfico:
(fonte: Pimentel J., 1995)
Dos valores médios apurados para os mesmos dois anos produtivos (1992/93 e 1993/94), a média encontrada para a produção total atingiu os 152,3 litros de leite com uma duração média de lactação de 192 dias. Para a produção normalizada aos 150 dias, obtiveram-se 132,9 litros de leite (Pimentel J., 1995).
Ainda, no trabalho de Pimentel J. (1995), referente à estimativa das produções através de resultados dos controlos periódicos, em função de todos os animais contrastados em 1992/93 e 1993/94 em que foi possível aplicar o Método de Fleischmann, pode-se salientar que a produção total máxima verificada foi de 404,6 litros de leite, de uma ovelha pertencente a um criador do concelho de Trancoso em que se verificou uma produção total média de 257,4 litros por ovelha contrastada. A produção normalizada máxima verificada foi de 295,6 litros de leite, de uma ovelha pertencente ainda ao mesmo produtor, tendo o seu rebanho apresentado a produção normalizada mais alta, em que a média por animal se situou nos 204,5 litros para os 150 dias de lactação. Todos os valores apresentados são referentes ao ano produtivo de 1993/94.
A ovelha Mondegueira, à semelhança do seu par, a ovelha Serra da Estrela, e citando Dinis
R. (2013), tem vocação predominantemente leiteira, contudo, nos últimos anos, a produção de carne tem vindo aumentar, contribuindo cada vez mais para o rendimento das explorações. Os borregos de leite têm uma valorização importante, tanto na sua zona de produção, como nos grandes centros urbanos, especialmente nas épocas festivas.
Este borrego de leite ou de canastra (cesto onde tradicionalmente se colocava e transportava o borrego para o mercado) resultou, ao longo dos tempos, do interesse dos produtores em começarem a ordenhar o mais cedo possível as suas ovelhas, tendo em conta as capacidades desta raça em conseguir excelentes reposições diárias no primeiro mês de vida, que, associado à excelente qualidade da sua carne e aos hábitos alimentares dos portugueses, revelou desde sempre uma clara aceitação pelos consumidores locais e principalmente dos grandes centros de consumo.
Os borregos nascem em média com 3,6 kg (variando o peso vivo em função do sexo dos jovens animais, do tipo de parto e o facto da ovelha ser primípara ou multípara). O peso vivo dos borregos aos 30 dias varia também em função dos mesmos parâmetros, pesando em média 9,3 kg. Aos 70 dias de vida o peso médio é de 14,4 kg.
Em regra os borregos são abatidos com um mês de idade para se iniciar quanto antes a ordenha. Contudo, em alguns efetivos os borregos podem ser abatidos até aos 45 dias de idade, tendo em conta o binómio oferta/procura. Nos rebanhos em que não é feita a ordenha os borregos são abatidos entre o mês e os 45 dias de idade, variando a idade de abate da referida capacidade de resposta do mercado. Apenas os animais para renovação do efetivo, nomeadamente os borregos e as borregas de substituição, são mantidos com as mães até aos dois meses, dois meses e meio de idade, esporadicamente até aos 3 meses de idade.
Os pesos médios são variáveis de exploração para exploração, existindo outras fontes de informação ao longo dos últimos anos, que expomos nas tabelas seguintes:
A recolha e compilação dos dados do ano de 2013, através da pesagem dos borregos ao nascimento, aos 30 e 70 dias, permite apresentar os seguintes resultados:
O peso médio dos animais adultos desta raça varia nos machos entre os 50 e 60 kg, enquanto as fêmeas adultas atingem 40 a 50 kg de peso vivo, existindo algumas diferenças nas fontes de informação, referidas nas tabelas seguintes:
É de referir que o rendimento retirado da produção de borrego churro, que advém da sua elevada qualidade e excelentes características organoléticas (tenrura, aroma e suculência), tem uma grande importância socioeconómica para os produtores da ovelha da raça Mondegueira, completando a valorização dos produtos da sua fileira.
Para além do seu característico sabor, equilibrado e natural, transmitido pelo seu modo de produção ecológico, a carne de borrego churro Mondegueiro é saudável, devido ao baixo teor de gordura e colesterol, e o seu consumo garante a sustentabilidade do meio rural, tendo em conta que favorece a economia desta região, permitindo assim a rentabilidade de explorações tradicionais em perfeita sintonia com a natureza.
Atualmente a produção de lã não tem muito significado para o rendimento das explorações de ovinos da raça Mondegueira. O velo é pesado, embora não muito extenso, de madeixas pontiagudas ou apinceladas. Apresenta elevada percentagem de fibras meduladas e de pelo morto ou castanho, que o desvalorizam. Como em todas as lãs churras as suas fibras são compridas e de toque áspero.
As características médias da lã dos ovinos da raça Mondegueira são as seguintes:
A raça Mondegueira possui uma boa capacidade reprodutiva. É de ciclo ovárico contínuo e tem uma prolificidade elevada (1,2 borregos nascidos por parto, no ano de 2013). Reconhece- se-lhe precocidade, pois há fêmeas que se cobrem antes do ano de idade. Em regra o primeiro parto verifica-se entre os 15 e os 20 meses.
Esta raça é bastante fértil (capacidade de, até a uma fase avançada da vida, produzir descendência com boa vitalidade) e prolífica (numero de ovos formados por período de fecundação, bem como a capacidade de levar gestações múltiplas até ao fim). Apresenta ainda uma boa taxa de fecundidade (número de borregos nascidos durante um determinado período de tempo). A sua atividade sexual alarga-se por todo o ano, podendo as cobrições nas explorações que só produzem borrego, decorrer durante todo esse período. Contudo, por norma, há uma época principal de cobrição na primavera (de abril até junho/julho), para obter partos no fim do verão e iniciar a ordenha a partir de outubro/novembro, e uma época secundária no outono para cobrição das malatas e ovelhas vazias da época anterior.
Os elementos conhecidos sobre o comportamento reprodutivo da raça ovina Mondegueira, permitem indicar os seguintes índices:
A importância socioeconómica da raça Mondegueira deriva da sua boa capacidade leiteira, sendo uma das três raças ovinas autóctones portuguesas de aptidão predominantemente leiteira, que tem como principal função a produção de leite e que contribui conjuntamente com a raça ovina Serra da Estrela, seu par no concelho de Celorico da Beira e em algumas freguesias dos concelhos de Trancoso e Guarda, para o fabrico do famoso queijo “Serra da Estrela” (DOP) produzido na área geográfica delimitada de produção da região demarcada mais conhecida pela excelência da produção desta iguaria, obtido a partir de leite cru, de pasta semimole e amanteigada, que está na base da afamada industria queijeira serrana.