Sistemas de Produção

Ovelha Churras Mondegueira

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Os concelhos do atual solar dos ovinos da raça Mondegueira são constituídos a norte por solos esqueléticos de natureza granítica e pobre, de fraca potencialidade agrícola e de fertilidade mediana e a sul por solos graníticos ou xistosos, pobres, secos e parcos de vegetação. O terreno é acidentado e o clima atlântico ou sub-atlântico com grandes amplitudes térmicas e com invernos bastante rigorosos. A propriedade apresenta dimensão média, a norte e com tendência para aumentar, a sul.

As ovelhas Mondegueiras são exploradas em regime extensivo no qual o pastoreio tradicional é dominante. A alimentação tem por base lameiros tradicionais que produzem essencialmente gramíneas e trevos em pastagens naturais permanentes de elevado valor nutritivo e que constituem uma excelente fonte de alimentação para estes ovinos, em verde ou em fenação. Atualmente já existem algumas iniciativas para semear pastos melhorados.

A cultura de gramíneas, como o centeio, a aveia ou o azevém, são muito importantes para a sua alimentação e são bastante utilizados nesta região em diferentes períodos do ano, uma vez que asseguram aporte de alimento verde de qualidade, respetivamente, no inverno os dois primeiros (quando as baixas temperaturas impedem a produção de qualquer outra cultura) e na primavera o azevém. Também é utilizada a cultura de milho, sorgo ou feijão- frade para fornecer no verão aporte alimentar verde em época de carência alimentar. O pastoreio em determinadas épocas do ano do extrato herbáceo dos pomares e vinhas também é importante para a alimentação dos rebanhos.

No que diz respeito às espécies arbóreas ou arbustivas que atingem porte arbóreo, a vegetação é marcadamente variada, em que o carvalho negral, o freixo, o ulmeiro, a azinheira, o sobreiro, o carrasco ou carrasqueira, o choupo, o castanheiro, a amendoeira e essencialmente a oliveira, entre outras árvores de fruto, são importantes para complementar através das folhas, rebentos, frutos ou pastoreio sob coberto, a dieta alimentar dos rebanhos em determinadas alturas do ano, nomeadamente no outono e inverno em que escasseiam outros alimentos.

A bolota de carrasqueira, azinheira, sobreiro ou carvalho representa para estes animais no outono e início do inverno uma fonte de alimentação rica em amido, numa altura do ano em que o clima se torna cada vez mais agreste.

Nas regiões onde se faz a cultura da vinha, a parra é igualmente utilizada na alimentação dos ovinos. Quanto às plantas arbustivas que compõem o mato rasteiro, as mais comuns nesta região são a giesta amarela e a giesta branca, arbustos espontâneos da família das leguminosas, que fazem parte integrante da dieta alimentar das ovelhas que pastam, sendo a sua vagem bastante apreciada por estes ruminantes (Pimentel J., 1995). No verão, para além das sementes das giestas, as sementes do rosmaninho ou rosmano, como é designado localmente, serve também de alimento para o gado.

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A dieta dos ovinos é também complementada com o aproveitamento de restolhos de áreas cerealíferas de trigo, aveia, centeio ou milho e, nos dias de intensa invernia que não permite os rebanhos saírem para pastoreio, com produtos hortícolas, nomeadamente, abóbora, batata, nabos e milho, entre outros. Não deixar de referir que a palha e o excelente feno obtido da erva dos lameiros tradicionais na primavera, de grande qualidade, designado como feno de fio, sempre presente no ovil, constitui um alimento essencial e fundamental no equilíbrio da dieta alimentar destes ovinos.

Mais esporadicamente são utilizados suplementos alimentares como complemento da dieta alimentar das ovelhas em produção (milho inteiro ou partido, centeio ou concentrado), disponibilizados normalmente no local da ordenha. Com alguma regularidade são ainda colocados à livre disposição dos animais blocos minerais que permitem um complemento em minerais e vitaminas para ajudar os animais a satisfazerem as suas necessidades nestes elementos.

O principal objetivo das explorações de ovinos da raça Mondegueira é a produção de leite, logo seguido da produção de carne, através da comercialização do apetecível borrego churro de leite ou canastra, que constitui um complemento importante da produção leiteira.

A produção de lã hoje em dia constitui o fator de produção com menor peso específico no rendimento da exploração (Dinis R., 1998).

A exploração de ovinos da raça Mondegueira é de caráter familiar, em regime extensivo, de pequena e média dimensão, sendo o pastor, na grande maior parte dos casos o próprio dono dos animais. Em 2013 a dimensão dos efetivos era bastante variável dentro do atual solar da raça, sendo o efetivo médio por produtor de 101 ovinos registados no livro de adultos com mais de um ano de idade, variando entre as 35,4 cabeças em Penedono e as 162 na Covilhã. Conclui-se também que 50% dos produtores tinham mais que 100 animais e que só 17,9% tinham menos que 40 ovinos. A relação de fêmea/macho era de 28,6.

Em 2013 o concelho da Covilhã, que apresentou a maior dimensão média de ovinos por rebanho de todos os concelhos, representava contudo só 10,7% dos rebanhos e 17,2% dos animais. O concelho da Meda que tinha a maior representatividade de rebanhos e animais (39% dos rebanhos e 36,5% dos efetivos) apresentava um encabeçamento de 115 ovinos por produtor. Na Terra Fria Beirã encontravam-se localizados 75% dos rebanhos com 69,8% dos animais. Os concelhos de Trancoso e da Guarda representavam, cada concelho, só 3,6% dos produtores. O número de produtores e animais variam do seguinte modo em cada um dos concelhos:

Já em 2014 o efetivo médio por produtor aumentou para 104 ovinos registados no livro de adultos com mais de um ano de idade, variando entre as 20 cabeças na Guarda e as 160 na Covilhã. Conclui-se também que aumentou para 67,9% o número de produtores que têm mais que 100 animais e que 25% têm menos que 40 ovinos. A relação de fêmea/macho é de 26,9. Em 2014 o concelho da Covilhã continua a apresentar a maior dimensão média de ovinos por rebanho de todos os concelhos, representando contudo só 7,1% dos rebanhos e 11% dos animais. O concelho da Meda que continua a ter a maior representatividade de rebanhos e animais (32,1% dos rebanhos e 34,7% dos efetivos) apresenta um encabeçamento de 112 ovinos por produtor. Na Terra Fria Beirã concentram-se 82,1% dos rebanhos com 76,4% dos animais. O concelho de Trancoso mantém a representatividade. O número de produtores e animais variam do seguinte modo em cada um dos concelhos:

São os acontecimentos de ordem religiosa que mais influenciam os hábitos que desde há muito regem o maneio desta raça. Contudo a aptidão leiteira da Mondegueira leva os seus proprietários a orientarem as cobrições de modo a que se verifique o período de alavão na altura desejada, sendo também a posterior venda dos borregos mais rentável (Pimentel J., 1995).

Nos efetivos cujo objetivo é a produção de leite a época das cobrições ocorre em maior número nos meses de abril a maio, estando esse facto associado a uma melhoria do regime alimentar e também ao efeito de macho, uma vez que estes estiveram fechados (invernados) nas “lojas”. Durante o período de aproximadamente cinco meses e meio, todas as ovelhas terão oportunidade de ficarem cobertas pois os carneiros são mantidos permanentemente com as fêmeas. Nos restantes meses, terão oportunidade de ser cobertas as fêmeas que pariram nos meses de janeiro e fevereiro, prolongando a sua lactação até fins de maio, assim como as malatas com idade aproximada de um ano resultantes de partos serôdios do ano anterior (Pimentel J., 1995).

Nos rebanhos em que não é feita a ordenha os carneiros são mantidos permanentemente com as fêmeas e como consequência, a época das cobrições ocorre durante todo o ano.

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