Em 1970 a população de churro Mondegueiro era constituída por 150.000 animais (Inventário Biotipológico das Populações Zootécnicas Portuguesas, 1970).
No Arrolamento Geral de Gados do ano de 1972, o efetivo Mondegueiro, segundo o Instituto Nacional de Estatística, era composto por 70.952 animais, o que representava 2,9 % do efetivo nacional (Borrego J. 1985, citado por Pimentel J., 1995).
Em 1987 a Ficha da Raça Mondegueira da DGP referia 40.000 animais como efetivo de reprodução, representando nesta data 2% do efetivo nacional de reprodução (DGP, 1987).
Em 1990 foi efetuado um levantamento dos rebanhos de ovinos da raça Mondegueira onde se pode constatar a existência de 61 efetivos com 4.742 animais (DRABI, 1990).
Em 1992, segundo o Instituto Nacional de Estatística, o efetivo da raça Mondegueira contava com 6.000 animais, passando a representar 0,2 % do efetivo nacional (INIA, 1992, citado por Pimentel J., 1995).
Em 1995 o número de produtores era de 72, sendo o número de animais, cerca de 5.000. Em 2000 e 2005 estavam referenciadas respetivamente 4.500 e 3.500 fêmeas (DGAV, 2013).
Em 2008 o número de produtores era de 54, com 3.500 animais adultos (Santos-Silva J., et al., 2008).
Em 2009 eram 27 os criadores de animais desta raça, sendo o número de animais de 3.200 (SPOC, www.ovinosecaprinos.com, 2009).
Em 2010 existiam 32 produtores com 3.084 animais. Em 2011 mantiveram-se os produtores e os animais passaram a ser 3.109. Em 2012 o número de criadores baixou para 28 com 2.848 animais (DGAV, 2013).
Em 2013 existiam 28 produtores registados com 2.830 animais desta raça, sendo nota de referência o interesse verificado por novos produtores em adquirirem animais da raça ovina Mondegueira, contrariando assim, e pela primeira vez, o acentuado e preocupante decréscimo verificado desde os anos 70 do século passado.
Em 2014, a desistência de 3 produtores foi colmatada com a entrada de outros 3, continuando registados 28 produtores com 2.905 animais da raça ovina Mondegueira, tendo-se conseguido, pela primeira vez, aumentar o número de animais inscritos no Livro Genealógico de adultos em consequência da concentração de efetivos. Mantem-se o interesse em novos produtores se estabelecerem com animais desta raça.
(*só foram contabilizadas fêmeas)
O interesse verificado em novos produtores adquirirem animais desta raça a partir de 2013 pode ter a ver com a promoção e divulgação da raça em certames como a Feira Nacional de Agricultura, que se realiza em Santarém, a elaboração de um folheto de divulgação da raça ovina Mondegueira, disponível no sítio da DGAV, e a realização de ações de extensão rural (palestras ou personalizadas), efetuadas desde o início do ano 2013.
Esta raça só ainda não corre perigo de se perder para sempre, com as graves consequências para a biodiversidade e para o ecossistema da região, porque a produção de ovinos da raça Mondegueira constitui ainda nestes concelhos uma atividade com impacto direto na economia local, na sociedade e no ambiente através do modo de produção natural amiga do ambiente.
Um dos objetivos imediatos é dar continuidade à política de divulgação e promoção para que esta raça deixe de estar considerada em perigo de extinção. A publicação dos resultados do contraste leiteiro num boletim anual e a divulgação da raça através das novas tecnologias constituem pilares importantes nesta área. Para isso é necessário paralelamente dinamizar
estratégias que permitam o aumento da rentabilidade económica das explorações, melhorando continuadamente os canais de comercialização dos produtos da fileira.
Pretende-se que todas as explorações cuja atividade principal é a produção de leite (independentemente de venderem para a industria ou fazerem queijo) adiram ao contraste leiteiro e simultaneamente, aumentar o número de lactações válidas, como caminho imediato para fornecer indicação aos produtores, que permitam melhorar a produtividade leiteira das futuras reprodutoras, através da criação dos filhos e filhas das melhores fêmeas reprodutoras em cada rebanho, para futura reposição. Simultaneamente dar continuidade a um trabalho de rigor dos registos de partos e de pesagem de borregos e avaliar continuadamente os índices de crescimento dos borregos, com reflexo na melhoria da produção de carne de excelente qualidade e tão importante para a economia das explorações. Em suma, a melhoria genética é o objetivo principal da gestão deste Livro Genealógico.
Pretende-se, em parceria com outras instituições, nomeadamente estabelecimentos de ensino superior de âmbito regional ou nacional, promover o desenvolvimento de trabalhos sobre caracterização genética da raça de modo a dar mais consistência ao programa de seleção.
A criação de projetos-piloto para melhoramento de reprodutores machos com ascendência conhecida é também considerada uma estratégia importante, tendo em vista a necessidade de acelerar o progresso genético da raça através da recolha de jovens machos, filhos das melhores ovelhas, para a realização de provas de descendência e posterior distribuição aos diferentes rebanhos, para futuros reprodutores.
O programa de conservação e melhoramento tem que ser implementado de uma forma muito pragmática, com critérios de produtividade mensuráveis em escalas universais, muito ligada à realidade existente e complementar ao excelente trabalho de seleção fenotípica que os produtores têm feito até aos dias de hoje, nunca descurando o princípio da confiança, e reforçando a transparência na comunicação e divulgação da informação aos produtores. É preciso ter sempre em conta as caraterísticas das explorações, dos diferentes sistemas de produção (leite ou carne) e as dificuldades associadas ao reduzido número de animais e aos problemas de desistência que daí advêm.
Estamos conscientes que estamos numa fase diferente relativamente a outras raças autóctones, mas também estamos muito conscientes que temos um grupo de produtores sérios e interessados em preservar e melhorar a raça e um grupo de trabalho profissional.
Urge encetar uma maior promoção desta raça milenar com fortes tradições na região, tendo em conta as caraterísticas (excelentes e estáveis) dóceis e de fácil maneio, boa adaptação ao meio e ótima rusticidade, frente a raças exóticas invasoras provenientes de outros países e colocá-la na rota de preservação, para assim, encarar com otimismo o futuro desta raça autóctone, atualmente em perigo de extinção.
Já Pimentel J. (1995) definia, com o objetivo de aumentar as produções e consequente rendimento dos produtores, uma correta avaliação do potencial da raça Mondegueira no seu solar de origem, onde poderá demonstrar bastante interesse, atendendo à sua rusticidade e elevada aptidão leiteira no sistema de exploração tradicional.
As raças autóctones desempenham um papel importante no aproveitamento dos recursos forrageiros de determinadas regiões, na manutenção dos sistemas pecuários extensivos e na obtenção de produtos pecuários de excelente qualidade, fixando desta forma a população local, designadamente nas regiões mais desfavorecidas, com evidentes fragilidades estruturais e caraterizadas por uma acentuada recessão demográfica, baixo nível de vida das populações e envelhecimento das mesmas (Pimentel J., 1995).
Em síntese, é do maior interesse para a região e para o país a manutenção deste importante património genético local, apostando cada vez mais no relançamento da raça ovina Mondegueira, tendo em conta que os produtos obtidos na sua exploração têm atualmente apreciável valorização, sendo previsível a curto prazo, que o seu escoamento no mercado interno de qualidade pode incrementar.
Existe ainda margem de progressão para melhorar a raça Mondegueira, sempre no caminho da preservação da diversidade genética, indispensável para alcançar a utilização sustentável e racional do meio rural, em concelhos do interior, como é esta região.
Por último refiro que o temperamento da ovelha de raça Mondegueira, que demonstra uma grande afetividade ao seu pastor, pode ser um fator importante na decisão da escolha desta raça.
Não sabemos até que ponto irá persistir a raça ovina Mondegueira, mas devemos implementar todas as medidas de conservação para evitar a perda genética e de biodiversidade que esta raça representa para a região e para o país, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para manter este património que é de todos e assim, não deixar de ouvir os sons das campainhas de bronze, com as quais as ovelhas Mondegueiras mais bonitas do rebanho quebram o silêncio da paisagem serrana com autênticas melodias campestres, em homenagem aos últimos campainheiros.